Tenho frio, aquece-me

Gosto de pensar que és infinito, que não tens fim, que os dias não te corroem como uma rocha sujeita à erosão do oceano. E talvez seja eu o teu oceano, que te corroí e te desgasta todos os dias. Considero sempre que vamos ter tempo, mas estou certa que não nos assemelhamos ao Universo. É curioso pensar como as relações entre os seres humanos são afetadas pela natureza complexa e complicada do Homem: quem sabe amanhã já não me queres; quem sabe amanhã acordas e sentes-te diferente ou apercebes-te que sou tão vazia como sempre te avisei. E eu ainda tenho tanta coisa para te dizer e, talvez, não devesse deixar passar mais dias em vão sem pronunciar coisas tão bonitas como as que guardo todos os dias para mim. Porque os dias são uma contagem paradoxal. Engraçado, não é? Como cada dia é mais um dia que nos alimenta e, simultaneamente, nos destrói. Por isso, é um erro eu não te dizer tais coisas enquanto ainda é tempo, enquanto posso e me permites. Porque talvez amanhã já não queiras falar comigo e tudo o que diga te irrite ou enoje ou enjoe ou, simplesmente, já não queiras mais saber e as minhas palavras sejam todas elas insignificantes para ti. Porque não são, insignificantes, são coisas puras, coisas que toda a gente devia ouvir uma vez por outra. Coisas como "és a primeira coisa que penso ao acordar e a ultima antes de adormecer"; "és o meu porto seguro"; "não consigo evitar sorrir quando olho para ti"; "gostava que soubesses o quão sortuda me sinto por te ter conhecido e o quão sufocante e angustiante a tua ausência é"; "o mundo parece irrelevante quando comparado contigo, como se tu fosses uma galáxia e o mundo fosse uma poeira";


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